Os primeiros passos…

Apresentação Curling Portugal

Por: João Cardoso, Fiona Simpson e Daniel Rafael

  1. Introdução

Este documento pretende apresentar o Curling, uma modalidade de desportos de inverno que é praticada numa pista de gelo. Em particular o objectivo deste documento é clarificar quais são os objectivos de curto e longo prazo, e potencial de crescimento do Curling em Portugal. Adicionalmente também é clarificada a posição dos autores relativamente a uma potencial construção de infraestruturas dedicadas à prática desta e de outras modalidades de gelo.

Este documento está estruturado da seguinte forma: A secção 2 descreve a história e introduz algumas da regras básicas do Curling. Na secção 3 aborda-se a questão da criação  de infraestruturas dedicadas para a prática de Curling. Finalmente na secção 4 é apresentado um estudo no potencial de crescimento do Curling em Portugal.

  1. História e Regras Básicas

O Curling é uma modalidade de desportos de inverno, em que jogadores de duas equipas lançam pedras através de uma pista de gelo, tentando pontuar mais pontos que o adversário. Este desporto é originário da Escócia (ca. século XVI), sendo que o clube mais antigo ainda existente é o Kilsyth Curling Club fundado em 1716.

Figura 1. Jogo de curling num lago, Canadá ca. 1897.

O Curling era inicialmente praticado no exterior em rios ou lagos (ver figura 1), congelados durante o inverno. Actualmente é principalmente praticado em instalações dedicadas para a prática desta modalidade, embora ainda continue a ser praticado no exterior. Embora existam praticantes de Curling em todo o planeta, a modalidade é particularmente popular no Canadá, onde foi introduzida por imigrantes escoceses. 

Figura 2. Equipa masculina da Suíça ganha a 1ª medalha de ouro olímpica em Nagano 98.

O Curling nem sempre foi uma modalidade olímpica. A primeira aparição no programa olímpico foi em 1924 como evento de demonstração (sendo posteriormente reconhecida como competição oficial em 2006), tendo só sido considerada uma modalidade oficial do programa olímpico a partir dos jogos olímpicos de 1998 em Nagano (ver figura 2).

Actualmente a temporada competitiva de curling decorre de Outubro a Abril. A modalidade subdivide-se nas seguintes variantes:

  • Homens
  • Mulheres
  • Juniores
  • Adaptado
  • Pares Mistos
  • Seniores 

As competições internacionais mais importantes  são as seguintes (por ordem de importância):

  1. Jogos Olímpicos de Inverno
  2. Jogos Paralímpicos de Inverno
  3. Youth Olympic Games
  4. Campeonato do Mundo
  5. Campeonato Europeu
  6. Taça Continental (América do norte vs Mundo)
2.1. Regras básicas de Curling 

Na sua variante principal, o Curling é jogado entre duas equipas de 4 elementos, que alternam o lançamento de pedras numa pista de gelo (ver figura 3).  Os elementos de cada equipa têm denominações e tarefas designadas: 

  • Lead – É o lançador do primeiro par de pedras da equipa. Tende a estabelecer as bases ofensivas ou defensivas da estratégia da equipa. Tipicamente está encarregado de escovar as pedras dos outros lançadores.
  • Second –  É o lançador do segundo par de pedras da equipa. É geralmente um jogador experiente na arte de retirar pedras adversárias da zona de jogo. Também auxilia na escovagem de pedras de outros lançadores.
  • Third – É o lançador do terceiro par de pedras da equipa. Tradicionalmente são jogadores experientes que auxiliam na definição da estratégia da equipa.
  • Skip – É o capitão e lançador do último par de pedras da equipa. O skip define a estratégia da equipa e coordena os lançamentos dos restantes jogadores.

Figura 3. Pista de Curling.

Cada equipa lançará um total de 8 pedras por ronda (end). Para pontuar, a equipa deverá colocar o máximo de pedras possível dentro da casa de marcação. No entanto só pontuarão aquelas que estiverem mais próximas do centro (button) do que a melhor pedra do adversário (ver figura 4).

Figura 4. Exemplos de pontuação.

Este processo de lançamento e posterior contagem de pontos é repetido entre 6 a 10 ends, até que uma equipa se sagre vencedora.

  1. Potencial de crescimento

Nesta secção abordamos o potencial de crescimento do Curling em Portugal e enquanto modalidade da Federação de Desportos de Inverno de Portugal (FDI Portugal). Para tal serão abordados os seguintes tópicos: Objectivos de curto prazo para a modalidade; Objectivos de longo prazo para a modalidade; Estimativa do número de jogadores ativos nas comunidades portuguesa no estrangeiro.

4.1. Objectivos de curto prazo

Tendo em consideração as estimativas apresentadas na secção 3.1, consideramos que são realistas os seguintes objectivos de curto prazo:

  • Divulgação da iniciativa Curling Portugal através das redes sociais.
    • Angariar desta forma uma comunidade de apoio à modalidade em Portugal.
    • Compilar uma lista de jogadores activos com potencial para representar Portugal em competições internacionais.
  • Criação de uma equipa de pares mistos para começar a competir na temporada 2020/2021.
    • Participação no evento de qualificação para o campeonato do mundo de pares mistos. 
  • Divulgação nacional da modalidade com colaboração da FDI Portugal (ver figura 5).
    • Desporto escolar
    • Street Curl.
    • Outros eventos.
    • Interação com os media Portugueses.

Figura 5. Evento Projecto Curling Portugal organizado no Centro Comercial Colombo.

4.2 Objectivos de longo prazo

Os objectivos de longo prazo estão dependentes da construção de infraestruturas dedicadas para a prática desta modalidade. Só dessa forma se poderão estabelecer programas de treino que permitam alargar o número de equipas da FDI portugal. Como tal os objectivos de longo prazo seriam os seguintes:

  • Construção de infraestruturas dedicadas à prática da modalidade.
  • Continuação da divulgação nacional da modalidade com colaboração da FDI Portugal.
  • Criação de uma academia de treino.
    • O actual treinador das equipas da Federação Russa, Daniel Rafael, e a sua companheira Fiona Simpson, já expressaram a vontade de se estabelecerem em território nacional para este propósito.
  • Criação de equipas de 4 elementos, para as variantes masculinas, femininas, juniores e seniores.
  • Criação de clubes locais.
  • Criação de um campeonato nacional.
  • Organização de competições internacionais.
    • Com vista num modelo de gestão sustentável das infraestruturas.
4.3. Comunidades Portuguesas no estrangeiro

De acordo com a WCF o Curling é praticado por aproximadamente 1.5M de jogadores. 80% destes jogadores são de nacionalidade Canadiana, 10% são de nacionalidade Norte Americana, 9% provêm de países Europeus e 1% de países do resto do mundo.

Portugal possui várias comunidades de cidadãos Portugueses no estrangeiro. Face ao facto de não existirem de momento infraestruturas em território nacional que permitam a prática desta modalidade, as comunidades Portuguesas no estrangeiro serão fundamentais na introdução do Curling em Portugal. 

No contexto do Curling, interessa analisar as comunidades em países em que se pratica esta modalidade. Na tabela 1 listam-se uma selecção de países onde existe tradição na prática de Curling e o tamanho das respectivas comunidades Portuguesas.

País

Cidadãos Portugueses

Canadá

153.535

EUA

166.583

França

622.000

Suíça

267.474

Alemanha

138.890

Luxemburgo

100.460

Tabela 1. Número de cidadãos Portugueses em países onde o Curling é popular.

Considerando os valores apresentados na tabela 1, será razoável estimar que existirá um número significativo de membros das comunidades Portuguesas nesses países que serão também praticantes de Curling. 

Estes praticantes serão importantes na tentativa de alcançar os objectivos de curto prazo, traçados na secção 4.1. Criando e competindo com equipas de jogadores que tenham acesso a infraestruturas onde possam treinar, facilitará o processo posterior de recolha de investimento para a criação de infraestruturas para a prática desta modalidade em território nacional.

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